Subjetiva prisão

Dezembro 14, 2009

Depois de tanto tempo de conversa, me deparei com uma coisa estranha.
Senti em mim um algo já esquecido.
Não queria acreditar no que estava acontecendo, mas, era tarde demais. Tudo mudou.
É estranho, opaco demais.
Volver os olhos para trás e sentir uma força tão grande que vivi. Mas não convivi.
É expressamente complicado.
Explicar o sentido transparecido sem querer transparecer não é fácil.
Vejo-me longe daqui. Mas, não sei, não sei.
Tenho em minhas mãos as chaves da saída, mas não encontro se quer um jeito de chegar até lá.
Há um espaço vazio preenchido, que não me deixa atravessar até a luz.
Sentimentos, pontes, travessias, …,luz.
Sair do estado magnético que me encontro e ir a essa luz é algo mais do que curioso. Tento disfarçar, mas….
Já estou sufocado. Me sinto como quem um dia caiu no abismo e não encontra uma forma para dele sair.
Tento andar não consigo mais. O interessante é ter a certeza que ainda é grande o caminho.
Tento falar e silencio ainda mais. Tudo porque as palavras me trazem ainda mais a dor do silencio.
Tento me acalmar, mais meu coração dispara. Sou sensível ao sentimento.
Tento enxergar, mas só vejo, só vejo… .E olhe que a saída é logo ali.
Não tem espaço pra mais nada, preso estou.
Sem medo, sem água, sem ar e encorajando-me, e bebendo, e respirando e transparecendo.
Assim estou eu, assim vou vivendo, e assim convivendo.

Uslei do Carmo

Perdão

Dezembro 7, 2009

Seus pequenos olhos não demonstravam seus sentimentos. Será que mentia? Por que? O momento era melancólico. Não tinha brilho. Tudo perdia a cor. Tudo estava sem vida. Era só eu e ela. Ambos tentávamos entender o que havia acontecido. Saber os “por que’s” da nossa separação. Não fazia sentido. O mesmo amor que nos unia também nos separava. E posso afirmar que doía. Meu coração se sentia abafado, apertado. Como se não tivesse mais forças para bater. Eu sei que ela sentia o mesmo. Mas por que não demonstrava? Será para me poupar?
Eu queria abraçá-la. Me debulhar em lágrimas e gritar para que todos soubessem que eu sou fraco e não consigo controlar a intensidade dos meus sentimentos. Queria dar vazão à dor que teimava em dilacerar meu peito. Queria dizer em seu ouvido que eu nunca mais me afastaria dela. Dizer o quanto a amo. Prometer estar ao seu lado em todos os momentos, inclusive os difíceis. E com isso arrancar a dor da ausência e esquecer as vezes em que fugi, deixando-a sozinha.
Olhando fixamente em seus olhinhos tentei me encontrar. Descobrir qual imagem minha havia ficado em sua mente. Se existia também em suas lembranças momento felizes em que passamos juntos. Se nossa convivência ainda era celebrada em detrimento à tristeza da minha ausência nos dias difíceis.
Ah, como eu gostaria de voltar no tempo. Refazer nossas lembranças. Fazer da nossa história um lindo caso de amor. Consertar os erros. Evidenciar os acertos para que hoje eu pudesse ver em seus olhos a alegria da confiança na presença constante.
Não posso mudar o que se foi. Mas hoje, olhando em seus olhos e segurando suas mãos, quero dizer que nada mudou meu sentimento e pedir perdão por minhas faltas. E com todas as palavras demonstrar que vou sempre te amar.

Cristian Santos

Infeliz Natal

Novembro 29, 2009

Sempre tive uma certa antipatia pelo Natal. Nessa data uma melancolia, maior do que o natural, me envolve (coisa que também acontece no carnaval, mas isso é assunto para outra época…). Já me disseram que isso é fruto do meu pessimismo, da minha descrença frente às alegrias da vida. Mas deixando de lado meus complexos psicológicos, demonstrarei porque não me contagio pelo “espírito natalino”.
Primeiramente remontemos ao conceito de Natal: 25 de Dezembro, supostamente a data do nascimento do Messias, o Cristo Jesus. Certo? Errado. Há tempos o Natal deixou de representar isso. Pergunte às crianças de hoje sobre o natal e quase todas dirão algo relacionado à Papai Noel – árvore de natal – presentes. E este último é o maior mal. Presentes. O Natal não é mais uma festividade religiosa e sim uma data comercial. Não que isso seja ruim, pelo contrário, é bom para a economia do país. O que me assusta é a falsidade das pessoas, que nessa data se aflora. Parece que no Natal todos ficam “bonzinhos”. Alguns doam cestas básicas às pessoas carentes (mas no resto do ano podem passar fome), visitam asilos (nos outros meses eles desaparecem), distribuem presentes nas creches (crianças só gostam de ganhar presentes no Natal), o que eu chamo de caridade natalina. Mas essa caridade não é para outros, é para eles mesmos. Fazem isso não porque se importem com alguém, mas sim para que se sintam pessoas melhores. Para que possam à noite dizer: _”Hoje eu dei presente para uma pessoa que eu nem conhecia, Deus deve estar orgulhoso de mim”…; e então podem recostar a cabeça no travesseiro e dormir o abençoado sono dos justos.
Há ainda o espírito natalino social. É aquele dos grupos de trabalho, escola, etc. Para facilitar inventaram o “amigo oculto”. Pessoas que não se suportam, que passam o ano todo sem se falar, trocam presentes, se abraçam e desejam as melhores coisas umas aos outros. Assim fica parecendo que grupo é perfeito, que as pessoas se adoram, que não há desentendimentos.
É claro que eu estou generalizando, ainda há algumas poucas pessoas que são sinceras nas suas ações. Não estou aqui dizendo que devem parar de dar presentes no Natal. Por favor, continuem, o Capitalismo agradece.
Então um feliz Natal a todos.

[http://eddie-versos.blogspot.com/2008/06/boas-festas.html]

camisetas e a vida

Novembro 29, 2009

Na vida passam em nosso corpo, muitas camisetas. Algumas são de infância, quando a mãe compra aquelas com estampas coloridas e logo após a gente babava em toda a camisa e o ácido de nossas salivas corroia, aos poucos, a bela estampa. Algumas são da adolescência, quando a gente se orgulhava de estampar no abdômen uma gravura imensa da banda preferida, sem saber ao menos o que eles pensavam de e sobre música, essa faze eu pulei. Algumas a gente comprava por comprar, dessas que a gente pega no guarda-roupa pra usar na pelada do campinho de terra. Outras a gente vestia na escola, a essas deram o nome de uniforme, mas tinha de muitos tipos e muitas formas. Outras a gente comprava junto com um ingresso e pulava suando toda ela, depois passava anos usando como se fosse um titulo, essas chamam de abadá, que pra mim é mais fútil. Mas mesmo que pareça ser meio complicado, as camisas que usamos formam nosso perfil de amanhã. É como a música, os livros, as conversas. Todas possuem seu significado peculiar. Algumas marcam como aquela que a mocinha encostou seu pescoço perfumado e você todo desengonçado não sabia o que fazer, então colocou o seu braço com a manga vermelha da camisa presenteada e teve seu primeiro beijo.
Alguns amigos meses atrás em conversa rotineira, um disse: – Por que não criar uma ONG? Eu que sempre tive vontade ativista respondi com toda a convicção: – Vamos. Então fomos como formigas ao bolo. Ligamos, conversamos e, infelizmente, vimos que não era tão fácil assim. No Brasil até pra ajudar é burocrático. Então o fervor inicial aos poucos, com a decepção burocrática brasileira americana mundial, foi desgastando e no fim de tudo, sobrou um blog.
No inicio o blog tava mais parado que água de dengue, ou mais parado que retrato da gente. Mas ai bastou uns dois a três incentivos literários, que começou a fluir, exceto para um membro, que por motivos monográficos não pôde ajudar com arquivos .doc. Mas sempre que possível dava uma palavra de apoio. E passou alguns meses, algumas visitas virtuais e um dos membros teve outra idéia: -Que tal fazer uma camisa? Todos uníssonos dissemos: – Claro. Então todos pegamos nomes, tamanhos, cores, formas, telefones, e-mails, sites, borrachas, clips, papeis, impressoras lx-300, Autosys camiseta e por ai vai. Fomos numa empresa de estampa chamada speencer, que não sei o motivo do nome tão sugestivo. Com certeza quando lêem speencer lhes remete a camisas, é obvio. Mas ai fizemos o famoso pedido.
Após alguns dias, semanas. Pra economizar a fadiga ligamos pra lá. Logo uma senhora atendeu, com seu lindo apelido diminutivo, e disse com sua doce voz:- Uai, esta esperando vocês. Fomos afinal a senhora estava nos esperando. Pegamos a tão sonhada camisa, que não saiu do modo planejado, mas ficou legal.
Mas voltando as camisas. Essa tenho certeza que vai marcar mais uma fase da nossa vida. Não pelas salivas, pelas bandas moralistas, pelos amores vividos, e sim pela vontade de fazer algo em prol dos outros e conseqüentemente em prol da gente. Não seremos os melhores do seu mundo, mas eu tenho certeza seremos o melhor do MEU mundo.

Isso pra mim basta.

Leitor

Novembro 28, 2009

Gostaria muito de agradecer as diversas manifestações de apoio ao nosso projeto cultural e disponibilizar para contato o e-mail ongcafecultura@gmail.com.br Porém, todos nós precisamos saber o reflexo do nosso trabalho. Para isso pedimos que faça seu comentário em nossos textos. Sua opinião é o que pode dar forças ao nosso trabalho. Falo isso em nome de todos os editores desse blog. Muito obrigado.

Cristian Santos

Uma realidade (parte final)

Novembro 28, 2009

Ela não fez muita questão de se retratar, apenas se sentou no sofá e disse que realmente era verdade. Que ela tinha um caso com aquele homem e mais alguns a mais de 14 anos. Que não havia contado nada porque achava que isso não era importante pra mim, já que eu não me importava com suas saídas à noite, nem com suas viagens sem muita explicação. Além do que não queria mudar a vida que tinha, onde tinha um marido que a sustentava e mais outros homens que lhe davam prazer. Disse tudo isso sem se alterar, como se fosse a coisa mais normal que existe. E finalizou dizendo que se eu quisesse continuar assim mesmo tudo bem, se não ela poderia mudar-se pra casa daquele com quem falava no telefone ou de algum dos outros.
Eu não sabia o que dizer. Estava atônito, pasmado. Dentro de mim havia uma represa prestes a ruir. Minha visão escurecia-se, estava possuído por uma ira incontrolável. Sem pensar por mim mesmo e quase que hipnotizado fui até a cozinha peguei uma faca de açougueiro e endemoniado desferi doze facadas fatais no tórax daquela que um dia eu amei. Sua morte foi quase que instantânea. Deixei meus filhos órfãos, mas não me arrependo. Seu corpo enrolei em um tapete e joguei em um rio junto a uma pesada peça de ferro para que afundasse e não fosse encontrado com facilidade. Até agora está tida como desaparecida, porém ainda ninguém faz idéia do que aconteceu.
Assim mesmo resolvi me entregar e pagar pelo meu crime, é o que vou fazer agora. Desta maneira não terei que encarar todas as pessoas que por tanto tempo me criticaram pelas costas.

Cristian Santos

Nova espécie: peixe-sacola

Novembro 26, 2009

Nessa mudança de clima e também o aumento da ignorância humana, houve e há um processo de extinção de algumas espécies e também o surgimento de novas. Parece meio contraditório, porém é verdade e vou lhe comprovar. Muitos das nossas mais belas espécies de peixes foram mortos pela poluição avassaladora dos humanos, e associada também a incansável pesca, dá lugar os novos peixes de sacolas plásticas multicoloridos e multiformes.
Os cardumes que viviam em fileira dançando a dança das ondas e a canção das algas em movimento foram substituídos pelos materiais orgânicos poliméricos sintéticos que andam solitários e às vezes entrelaçam com galhos e plantas nas encostas. Essa nova espécie não pode ser ornamentada, nem colocada em aquário como as espécies antigas, elas na verdade vivem fora d’água durante algum tempo. A vida delas é bem movimentada, elas são populares e vão passando de mão em mão pelos humanos, às vezes acariciada às vezes obrigada a sustentar a dor do peso extra.
Depois de um tempo de trabalho árduo e sem remuneração algumas, as chamadas “escolhidas”, são postas pra trabalhos secundários, chamado de “céu das sacolinhas”, onde são recicladas ou como dizem purificas dos seus pecados e colocadas em uma nova roupagem ou o novo corpo como também é denominado. As demais simples sacolinhas pecadoras são jogadas a deus-dará, e logo pra sua sobrevivência vivem como mendigas esperando a sua tão lenta morte. As sacolinhas mendigas são chutadas, varridas, cortadas, amarradas, queimadas, e algumas consideram isso como o purgatório sacolal. Depois de um tempo no purgatório, e pode até mesmo literalmente hospedar pulgas, algumas, a maioria, viram animais. E povoam rios, lagos, córregos e mares perambulando, mas nunca se reproduzindo, pois são assexuadas, mas para isso temos os seres humanos que perpetuam a espécie, a nova espécie moderna: os peixes-sacola.

o motivo do calor

Novembro 24, 2009

A terra nua e crua, despida do vestido verde, olhou pro céu e viu o sol, todo imponente tranjando seu terno dourado de incomparável brilho e glamour. Ela então apaixonou-se por ele, afinal era lindo e majestoso, o rei do reino solar. Logo a terra ordenou sua serva lua mandar recados e receber recados de luz, uma espécie de bate-papo galático. O sol percebendo a insistência milenar, resolveu então conhecer a terra. Logo esperou o tempo certo, a terra percebendo os olhares sobre ela resolver dar uma voltinha e mostrar suas circunferências que já eram tão sensuais na epóca. O sol então viu que seus olhos fundos foram sugados pela poluição e que seu véu estava todo furado de tanta dor, o sol então sentiu pena e resolveu ajudar. Ao tentar sair do seu habitat viu que não conseguia se mover tão rápido mas era preciso ajudar, e foi ele ano a ano tentando chegar mais próximo da sua amada que vai sendo destruida pelo seu próprio organismo. Esta infetada, a nobre terra pelo povo que virou um câncer, um tumor, e não percebe que esta infectando, e como um micróbio vai esmagando cada vez mais a jovem e apaixonada terra, mas não se preocupe o sol irá salvar a terra e queimar o tumor.

Capitalismo popular

Novembro 24, 2009

Após uma aula de economia, fiquei pensando como o capitalismo está presente, camufladamente, até nos assuntos mais banais do senso comum. Reparem por exemplo, um grupo de amigos em um bar. Os assuntos que surgem, quase sempre são mulheres, futebol e cerveja, não necessariamente nessa ordem de importância. Onde o capitalismo entra nisso?
Bom, quanto a cerveja, entram em uma discussão de qual cerveja é melhor, comparam sabores, efeitos e juram saber distinguir uma da outra, não percebendo o quanto suas opiniões estão arraigadas à uma idéia construída, manipulada pelas propagandas de televisão e que, a propósito (provando que não devo estar errado), sempre associam o produto a mulheres e futebol. Enquanto discutem, garrafas e mais garrafas descem à mesa, proporcionando lucros estratosféricos aos capitalistas do setor.
Outra discussão que se estende por horas é o futebol, sobre jogadores, sobre times, sobre campeonatos, sejam eles brasileiros, espanhóis, italianos… Os mais exaltados chegam a usar a violência para defender seu time, enquanto os dirigentes, jogadores, televisão faturam milhões de dólares em direitos de imagem, venda de camisetas, ingressos, entre outros. O esporte deixou de ser uma forma de diversão e entretenimento e se tornou um negócio extremamente lucrativo, cujo único objetivo é gerar riquezas para os dirigentes e patrocinadores.
Creio que poderia ser demonstrado facilmente a relação de qualquer assunto com o capitalismo, estes foram só alguns exemplos.
Ah sim, faltou comentar sobre a relação das mulheres com o capitalismo. Acho melhor não.Não quero me comprometer.

Uma realidade (Parte 2)

Novembro 21, 2009

Foi assustador. Eu cheguei em casa após um cansativo dia de trabalho com muito amor para dar àquela que até então era a única mulher da minha vida, pela qual me resguardava e lutava para agrada-la cada vez mais. Ao entrar em meu lar percebi que minha mulher estava no banheiro mas não me anunciei. Esperei ela sair e surpreende-la com minha presença e um beijo. Aguardei na sala até me lembrar que deveria telefonar para minha mãe. Peguei o telefone e notei que a linha já estava sendo ocupada por minha mulher que usava o telefone sem fio no banheiro. Por pura curiosidade, não por desconfiança, já que confiava totalmente na mãe de meus filhos, resolvi ouvir um pouco da conversa. Maldita resolução (ou não). Do outro lado da linha era um homem com uma voz grave, grosseira, notava-se claramente que era um homem rústico, muito pouco instruído. Aquilo me causou uma ponta de ciúmes, mas o pior ainda estava por vir. Minha mulher tratava aquele homem com uma intimidade que eu desconhecia. Ele porém, a tratava como se estivesse falando com uma prostituta que gosta de ser pisada e humilhada. Mesmo assim minha mulher parecia estar gostando, eu diria até que ela estava se excitando, o que pude comprovar logo em seguida. O teor do assunto foi ficando cada vez mais erótico e pude notar que aquele caso era antigo. Meu coração havia dobrado em número de pulsações, parecia-me saltar pela boca. Fui ficando pálido e suava como em uma sauna. Mas eu não desisti de continuar ouvindo, queria ir até o final. Na continuação testemunhei a marcação de um encontro em um lugar que segundo eles já era de costume. Porém, a facada final ainda estava por vir, quando minha mulher disse que era fácil enrolar “o corno” do marido e que já estava acostumada. Aquilo me feriu como um punhal direto em meu coração. Não podia mais continuar ouvindo. Pus o fone no gancho e tentei controlar minha respiração para não enfartar ali mesmo. Esperei um tempo que me parecia uma eternidade para que ela saísse do banheiro. Quando saiu veio até mim para beijar-me. Não tem como expor o repúdio que senti. Ao ver minha cara perguntou-me assustada o que havia acontecido. Com uma voz vacilante e com um esforço extremo para não perder o controle, contei-lhe que eu havia ouvido sua conversa no telefone. Seus olhos brilhavam, mas não demonstravam nenhum sinal de arrependimento. Eu continuei:
- Você pode me explicar o que está acontecendo?
continua…

Cristian Santos